terça-feira, 19 de junho de 2012

Capoeira de verdade


Se você faz um jogo ligeiro
dá um pulo pra lá e pra cá
não se julgue tão bom
capoeira que a capoeira
não é tão vulgar
para ser um bom capoeirista
pra ter muita gente que lhe
de valor
você tem que ter muita
humildade tocar instrumentos,
ser bom professor
o capoeira faz chula bonita
canta um lamento
com muita emoção
quando vê seu mestre
jogando sente alegria no
seu coração
ele joga angola miudinho
se a coisa esquenta não
corre do pau tem amigos
por todos os lados
um grande sorriso também
não faz mal
isso é coisa da gente,
ginga pra lá e pra cá
(coro)
mexe o corpo ligeiro,
a mandinga não
pode acabá
isso é coisa da gente,
ginga pra lá e pra cá
(coro)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Conterrâneo

Diferente do paraibano que canta Palmeira dos Índios em verso e prosa, esse é genuinamente da terrinha, temos que conhecer de onde viemos pra saber pra onde vamos e esse é o grande dilema da humanidade (macro e micro) quando mais eu procuro saber de onde venho aprendo coisas novas e conheço outras tantas que precisaria de várias vidas pra juntar todo conhecimento de minha terra natal, tão rica em personalidades que tomou o mundo como se fosse água, inclusive é criador de uma música que me criei ouvindo meu pai cantar e que na caapoeira, depois de uma adaptação se transformou em um dos hinos em homenagens ao Mestre Bimba (Chora bananeira*). Então segue alguma coisa sobre mais um palmeirense ilustre:

Jacinto Silva, nascido em 1933 , em Palmeira dos Índios - AL, cantor, compositor e mestre do coco de roda. Discípulo de Jackson do Pandeiro. Iniciou sua carreira em 1942. Em 1962 gravou na Mocambo seu primeiro disco. Ao longo da carreira gravou 24 LPs e dois CDs.* 1933 Palmeira dos Índios, AL                                                                                                             + 2/3/2001 Caruaru, PE
Seu trabalho serviu de inspiração para bandas pernambucanas como a Cascabulho. Em 1962 gravou na Mocambo seu primeiro disco com o baião "Justiça divina", de Onildo Almeida e a moda de roda "Bambuê bambuá", de Joaquim Augusto e Luiz Plácido. No mesmo ano, teve o rojão "Moça de hoje", parceria com Ari Lobo gravado na RCA Victor pelo próprio Ari Lobo. Em 1963, na mesma gravadora gravou de sua autoria o coco "Coco trocado" e de Onildo Almeida, a moda de roda "Chora bananeira". No mesmo período, registrou de Genival Lacerda e Antônio Clemente, o rojão "Carreiro novo". Em 1964 gravou dois dos últimos 78 rotações da série 15.000 da Mocambo com a moda de roda "Aquela rosa", de sua autoria e o coco "Na base do tamanco", parceria com José Maurício. Na ocasião, os discos foram divididos com Toinho da sanfona, que gravou no lado B. Em 1966 lançou o LP "Cantando", pela gravadora CBS. Em 1973 participou do disco "Forró na palhoça" lançado pela CBS no qual interpretou "Tarrabufado", de sua autoria e Isabel Biluca e "Flor de croatá", de João Silva e Raimundo Evangelista. Em 1974 lançou pelo selo Tropicana-Cantagalo o LP "Eu chego lá", que na época recebeu calorosa crítica do jornalista José Ramos Tinhorão, que a respeito do disco afirmou: "... desfilam toadas agalopadas como "Flor de Croatá", cocos como "Coco do pandeiro", mazurcas nordestinas como "Eu chego já", baiões de ritmo acelerado como "Tentar esquecer", sambas-baiões como "Concurso de voz", gêneros desconhecidos como mineiro-pau: uma estranha mistura que lembra ao mesmo tempo o ritmo do calango e, mais longinquamente, dos sambas de partido alto cariocas." Em 2000 lançou pela Magnitude o CD "Só não dança quem não quer", produzido por Zé da Flauta, com participações especiais de Chico César, Vange Milliet, Mestre Ambrósio, Marcos Suzano, Toninho Ferraguti e Bocato. Destacaram-se no disco, "Fumando mais Tonha", "Coco trocado", "Chora bananeira" e "Abaio de vaqueiro". Ao longo da carreira gravou 24 LPs e dois CDs. Em 2001 recebeu um tributo do cantor e compositor Silvério Pessoa, ex líder do grupo Cascabulho, no CD "Bate o mancá", com músicas de Jacinto Silva, que aparece em algumas vinhetas ao longo do disco. Foram selecionadas 14 músicas do compositor e cantor alagoano, entre as mais de 200 de sua autoria.
Aboio de vaqueiro • Aquela rosa • Chora bananeira • Coco do pandeiro • Coco trocado • Eu chego já • Flor de Croatá • Fumando mais Tonha • Moça de hoje (c/ Ari Lobo) • Na base do tamanco (c/ José Maurício) • Tarrabufado (c/ Isabel Biluca) • Tentar esquecer • Tombou e virou
• Justiça divina/Bambuê bambuá (1962) Mocambo 78 
• Chora bananeira/Coco trocado (1963) Mocambo 78 
• Tombou e virou/Carreiro novo (1963) Mocambo 78 
• Aquela rosa (1964) Mocambo 78 
• Na base do tamanco (1964) Mocambo 78 
• Cantando (1966) CBS LP 
• Festival de verão [S/D] Itamaraty LP 
• Eu chego já (1974) Tropicana-Cantagalo LP 
• Só não dança quem não quer (2000) Manguenitude CD                                                                
• AZEVEDO, M. A . de (NIREZ) et al. Discografia brasileira em 78 rpm. Rio de Janeiro: Funarte, 1982.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Crueldade?

Somos ou Não Somos Cruéis?
Observações Caambembe
Gérson Alves da Silva Jr.

Existe uma grande corrida e batalha pela vida. Quando se observa os seres vivos de maneira geral percebe-se que eles estão envolvidos numa eterna guerra. Animais se digladiam entre si, matam uns aos outros. Espécies de seres vivos para se manterem vivos precisam se alimentar de outros seres. Quando se reflete sobre as doenças, não fica difícil concluir que na maioria dos casos o que nos leva a adoecer são outros seres vivos que nos destroem para poder de nossa vida e de nossa morte retirar sua própria condição existencial. As bactérias, os fungos, os vírus e outros tipos de micro-organismos nos destroem porque a existência dos mesmos depende da subtração da energia de nossos corpos, do mesmo modo que nossa existência depende da morte de outros seres, pois também matamos para nos alimentar. Mesmo os vegetarianos são incapazes de produzir sua própria energia vital, por isso matam e roubam energia das plantas que também são seres vivos. Seriam os vírus, bactérias e toda a sorte de micro-organismos os demônios que nos atormentavam no passado, do mesmo modo que somos nós os demônios que atormentamos os demais seres que matamos para continuar nossa condição existencial?

Não seria essa uma perfeita definição de crueldade? Nossa existência depende da capacidade de sermos cruéis. A crueldade para matarmos e comermos outros seres, para subtrairmos energia, faz parte de nossa natureza mais profunda, é graças a essa capacidade que deixamos de ser amebas e nos tornamos seres pluricelulares que roubam energia a custa da morte de outros seres. Ainda há quem não entenda a antropofagia. Comer o outro significa tirar-lhe a energia, utilizar as forças do outro para fazer dela sua própria força. Por isso a antropofagia não é comum apenas em “psicopatas”, mas também em muitos grupos primitivos e selvagens.

Nossa existência não é tão nobre como poderíamos pensar a partir de premissas religiosas. Matamos e destruímos a vida a cada dia de nossa existência para permanecermos vivos. Somos um princípio ladrão de energia. Talvez este princípio ladrão de energia não devesse continuar a existir, pois no fundo somos sempre aproveitadores do outro e o somos mais quando o outro tem certa distância de nós. Entretanto, pela lógica da seleção natural as coisas não estão ligadas a honestidade nem a valores morais. Por essa razão todos os homens são passíveis de corrupção, pois antes de seus valores morais estão os seus princípios vitais, algo que transcende a existência de um homem em particular. O princípio que leva uma pessoa a tirar vantagens de outras em benefício de si e dos seus, é mais antigo que a própria existência de um ser humano e mais antigo que a própria humanidade como um todo. Somos aproveitadores do trabalho do outro antes de sermos humanos.

Negar essa condição cruel não faz o homem melhor. Fazer de conta que não ver esta condição que tira proveito do outro, não nos faz superior. Até podemos criar propostas humanitárias e igualitárias. Mas a igualdade não nos acompanhou durante nosso desenvolvimento histórico. Assim sendo, ser cruel não destitui o sujeito de sua humanidade. Aliás, penso ser bastante cruel definir o que é humano e o que é não humano, pois definindo pode-se espoliar o outro sem precisar lhe afligir fisicamente. Não sei quem definiu que dores de rejeição e prisões são menores que agressões físicas e mortes.

Ser bom é favorecer o outro. Mas até que ponto favorecer o outro é bom para nós? Até que ponto favorecer o outro será bom para ele a longo prazo? Até que ponto não é nossa idéia de bem que promove o mal? Em que circunstâncias o egoísmo é aceito? Egoísmo para destruir outros em benefício próprio. Egoísmo para violar e deturpar a imagem do outro em função de seu crescimento. Egoísmo para abandonar outros em função dos seus ideais que não contemplam benefícios a uma coletividade.

Teve pena da rolinha que o menino matou.
Mas depois que torrou a bichinha, comeu com farinha... Gostou.
Fogo pagou, fogo pagou, fago pagou. Tem dó de mim!
Fogo pagou, fogo pagou, fago pagou. É sempre assim!
Todo mundo lamenta a desgraça que a gente passa num dia de azar
Mas se disso tirar bom proveito, sorrir satisfeito fingindo chorar.
(Luiz Gonzaga e Rivaldo Serrano de Andrade)

Negar a realidade não constrói um mundo melhor. Entendê-la, enfrentá-la e principalmente analisar as possibilidades dentro desta realidade é que pode garantir uma promessa de futuro mais coerente. Pois em nossa natureza humana também se inscreve a vida em coletividade. Para vivermos em coletivo precisamos dosar crueldade e senso de solidariedade. Mas a medida é muito mais difícil do que a meia-embreagem de um carro velho numa grande ladeira com um motorista iniciante. Embora a natureza não seja estática, quem disse que mudar determinadas condições é tarefa fácil? Não podemos esperar a bondade gratuita do outro. Devemos ensiná-los a bondade preparados para sermos cruéis quando o caminho do bem não é a escolha.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Matuto é inteligente por natureza

O marketing foi inventado 
Por um homem do nordeste 
Que apesar de não Ter estudado 
Sempre foi um cabra da peste 
Inteligente e desenrolado 
Fabricou “prego” no sudeste 

Numa cidade religiosa 
Começou a fabricação 
Era muito bom de prosa 
Vendia toda produção 
Andava loja por loja 
Fazendo a divulgação 

Por ter o nome de Adonia 
E pras vendas reforçar 
Pensou em botar um dia 
Seu nome pra dilvulgar 
“Pregos Adonia” 
“O melhor prego que há” 

As vendas foram crescendo 
E Adonia se empolgando 
O povo todo vendo 
E ele só inventando. 
Um dia Padre Heleno 
Ia na rua passando 

Quando avistou um ort-door 
Com Jesus pregado na cruz 
E ainda pra ser pior 
Debaixo dos pés de Jesus 
Uma frase que dava dor: 

“Pregos Adonia, 
Dois mil anos de garantia” 

O padre ficou irado 
Passou um sermão em Adonia 
Chamou de cabra safado 
Disse que ele não podia 
A imagem de Jesus ter usado 
Aí no outro dia 

O ort-door tava mudado 
Tinha a imagem de Jesus 
Com um braço pregado 
E a outra mão solta da cruz 
Acenando para o lado 
E essa frase nos pés de Jesus 

“Adivinhe minha fia, 
Em qual mão foi usada o prego Adonia” 

O padre chamou o bispo 
Foram os dois passar o sermão 
Adonia ouviu calado 
E jurou compreensão 
Chamaram inté o delegado 
Pra reforçar o carão 

Foi outra vez mudado 
O danado do ort-door 
Porém Jesus não foi usado 
Pois a cruz estava só 
Mais tinha uma frase de lado 
Cu’mas letras bem maior: 

“Se o prego fosse Adonia, 
O cara não fugia...”