terça-feira, 5 de julho de 2011

Caminhada rumo a divisa litoral Norte

Amigos caiçaras e amigos dos caiçaras, há alguns anos atrás adaptei uma prática indígena, chamada ouricuri, para uma realidade que atingisse os jovens e pessoas que tivessem coragem de enfrentar desafios. Esta prática tem ajudado muitas pessoas a redirecionarem projetos de vida ou a se posicionarem diferente frente a necessidade de conquista dos seus objetivos e metas.
Porém, nossa própria proposta tem sofrido inúmeros desafios. Estamos inseridos em uma realidade social em que as pessoas colocam o bem estar e o prazer como o ponto máximo de conquista. É natural escutarmos nas canções e nas vocalizações das pessoas a idéia de que o importante é ser feliz. Mesmo que seja uma felicidade fugaz e esvaziada. Para a maior parte dos jovens e dos modelos educativos atuais oferecer um estilo de vida sem esforço e com o máximo de diversão são o padrões a serem seguidos. Isso tem formado jovens cada vez menos perseverantes, que desistem fácil de seus ideais. Se o modelo atual associa todo e qualquer tipo de esforço como desgaste desnecessário e ridículo, podemos entender porque a juventude de hoje prefere os shoppings centers resfriados com ar condicionados, ficar deitados o dia inteiro na cama e sair apenas para ir a shows, festas ou gastar com roupas de marca e Mc Donalds. 
Esse estilo de vida atual choca diretamente com a proposta de um processo que coloca a felicidade como um processo de realização mais ampla a partir do alcance de metas e objetivos traçados previamente. Pois, agir em função de objetivos e metas pode parecer algo fácil, mas é extremamente complicado e difícil na prática, pois coloca o sujeito frente as suas próprias limitações, visto que, uma vez traçadas as metas e objetivos, o sujeito só encontra poucas alternativas: ou as alcança e realiza, ou emperra e percebe falhas em si mesmo que precisam ser ajustadas, ou desistem. Mas, o problema está na segunda e terceira alternativa. Como o modelo imposto pela atualidade dita que o sujeito precisa ser um vitorioso a qualquer custo, as pessoas não são capazes de lidar com suas limitações e optam por desistir dos desafios antes mesmo de iniciá-los por medo de fracassarem. Esquecem com isso que são mais fracassados que os que tentaram, pois lhes faltou uma condição imprescindível para ser vencedor: a coragem de tentar. Quanto aos que tentam e emperram por alguma razão, mas continuam insistindo esses são vitoriosos também, pois a vitória da vida está em persistir nas empreitadas.
Nesta perspectiva estamos realizando no próximo dia 20 de julho, quarta-feira, nosso próximo acampamento/ouricuri. Como de costume esse acampamento de meio de ano consiste numa longa caminha de mais de 130km. Estaremos nos reunindo para darmos maiores detalhes aos interessados na segunda-feira dia 11 de julho, às 19:00 horas em frente ao Alagoinhas, na Praia de Ponta Verde. Pedimos aos interessados em participar que se pronunciem e enviem e-mails confirmando sua participação até sexta-feira.
Abraços,
Gérson Alves da Silva Jr.
Professor de Processos Psicológicos Básicos e
Psiconeurobiologia da Universidade Federal de Alagoas
Mestre em Educação com Ênfase em Antropologia
Psicólogo Comportamental

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