quinta-feira, 24 de setembro de 2009

João

Primeiro Acampamento do Grupo Caiçara de Capoeira
Destino: Praia do Saco
Partida: 31/01/2009 (04:40)
Retorno: 01/02/2009 (19:00)


Cheguei. Estou em casa, tomei um banho e agora quero lembrar e guardar esse momento na história, que não precise ser lembrado por ninguém, mas EU quero lembrar e viver novamente todo o aprendizado.

Tudo não começou realmente no dia 31 às 4 da manhã, mas muito antes. Da idéia inicial do Mestre até esses dias o meu coração já sabia como iria ser bom o acampamento, mas a primeira lição foi que realmente foi tudo muito bom, mas muito diferente do que eu pensava. A expectativa era enorme, cheguei a criar cenas onde a caminhada, montar a barraca, acender o fogo e pescar eram atividades rápidas e fáceis. Frases de coragem como “deveríamos voltar andando” saiam tranqüilamente. Engraçado!

Com pessoas boas tudo fica mais fácil, a caminhada iniciou agradável e continuou assim em espírito, pois todos estavam motivados a chegar superando o pesado do sol e das bagagens. Aconteceram paradas e descansos necessários para aprender sobre o nosso lugar, desde as origens dos nomes e historias da Lagoa Mundaú, um pouco de Tupi, analisar o melhor lugar para acampamento, até para caçar Xié. (uma espécie de caranguejo que particularmente acho que caiu muito bem de apelido para o Luan).

Chegando lá já estávamos esgotados. Porem foi só a chegada, garantir as instalações e alimento necessário para sobrevivência ainda eram prioridades, por isso o Mestre e o Gabriel foram direto pescar, nós fizemos a escolha do local, a coleta de madeira e palha para a barraca e para a fogueira. Tudo isso foi muito pesado e acabamos o trabalho quando estava escurecendo. Primeiro já é perceptível que nada é tão fácil como na mente e nos filmes, principalmente as coisas mais simples que estou acostumado como água, uma carne assada, uma fruta, tudo isso requer um esforço tremendo e uma dedicação enorme para se conseguir. E em segundo lugar, como todos os bons principiantes cometemos erros, como colher madeira verde para a fogueira, montar a barraca em um local onde a maré chegava, etc.Erros que vistos por outro ângulo dão uma experiência enorme quando aliado com os aprendizados de como cortar a madeira melhor, como fazer uma arapuca, lendas indígenas, etc.

“A lição foi aprendida”. Essa frase entre outras como “Quem não se conhece não sabe o porque dos seus limites” e “quem não sabe dessas coisas é um estrangeiro em sua própria terra” deixaram marcadas em meu coração o sentido da viajem. O esforço existiu e foi difícil, mas o que mais vale é o sorriso verdadeiro entre amigos, é a contemplação da existência e principalmente a sensação de dever cumprido. A lição foi aprendida.

Estou pronto e com uma coragem muito grande em meu coração, uma coragem mais real, baseada em experiências vividas que me motivam a pensar realmente que posso muito mais. E o mais importante, que eu nunca posso só, sempre em família, em grupo, entre amigos. Obrigado ao nosso Mestre Gerson, amigo fiel e a todo o Grupo Caiçara!

João Arruda

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixem seu recado para o Caiçara caapoeira !