Relatório Gabriel - Praia do Saco
Bom.. Hoje fiz 4 meses de namoro com Rayssa. Fomos jantar e logo após andar na praia, fazendo nossas reflexões. A noite estava linda e a lua a enfeitava. Os postes refletiam no mar, o tornando verde esmeralda. Foi vendo isso que despertou a vontade de tomar banho de mar, eram 23:50. Tomamos um gostoso banho de mar, maravilhados com essa aventura, lembrei-me do nosso acampamento, pois, teria, outra estória para contar!
Lembro-me do acampamento como se fosse hoje, saímos às 4:40 do CRB Pajuçara e só fomos chegar ao Saco às 10:30. A caminha foi linda, sempre gostei e tive uma sensibilidade para o que está ao meu redor. Por diversas vezes fui ao litoral sul sem me deparar com a situação das pessoas que vivem naquelas favelas da Ilha de Santa Rita, sem me deparar que lá não havia fogão, fogo só a lenha. Os meninos tinham a barriga marcada pela pobreza e pela desigualdade, doentes e cheios de verme, muitos deles estavam a chorar quando por lá passei. Talvez nunca havia aberto uma passagem no meio da estrada para uma mata fechada, nem tido regrar tão estreitas quanto dividir um Trio para 4 pessoas por ter sido ilegal a sua ida a nossa viagem. A sensação, para mim, de ir andando até lá foi sensacional. Ao chegar lá foi de vitória. Eu ia absorvendo cada coisinha no caminho, tudo mesmo. As estórias contadas pelo mestre sobre a história e nomenclatura de monumentos naturais e artificiais que às vezes até contrastavam com a minha sabedoria da região, mas era tudo muito interessante. Por algum tempo eu não havia visto o sol nascer, e fazer isso andando, compartilhando, ver a cidade nascendo em diversos pontos diferentes para mim foi fantástico. Lembro-me que até algum tempo atrás eu sempre tive vontade de fazer feitos e aventuras como esta, mas não tinha compania para realizá-los. Com sinceridade, naqueles momentos, eu me sentia em casa, pertencente a uma família de verdade. Após muito suor, cansaço e até reclamações, que modesta parte não vieram da minha pessoa, nós concluímos a primeira etapa do acampamento, chegamos até o local. Ir pescar, passando horas sem nem um beliscar em minha linha foi frustrante, por um momento achei que havia sido esperto em ter ido pescar, mas por outro achei que cortar madeira seria algo mais interessante. Paciência nunca foi meu forte. Contei com a ajuda do meu poder superior que é Deus, estávamos em um lugar um pouco crítico para pescar com segurança quando veio uma onda e me derrubou, caí por cima de vários ouriços, porém em nenhum me machuquei, foi muita sorte e dizem que sorte é apelido de Deus, então...
Eu vi a cara do mestre de assustado, acho que pensou ele: "Já pensou se esse menino se fura todo aqui, o que eu vou dizer a sua mãe que estava lá na hora da partida já aflita?" kkkkkk
Enfim, voltamos para a praia sem nenhum peixinho a mais que um peixe beta, daqueles de aquário de criança, que o mestre pegou. Haviam feito a cabana errada! Quando o Severo chegou, revitalizado e com todo o gás, colocou ordem e comandou a construção desta. Durante todo este período fomos salvos pelas mangas que compramos no caminho e que muitos reclamaram por ter de carregar auhauhauahua resumindo: A manga salvou a patria! Só fomos comer de verdade às 18 ou 19 horas da noite, não me recordo muito bem. Eu só tinha levado um paio, fui despreparado, recém-chegado de uma outra viagem. Este paio era bom, porém de gosto MUITO forte e com sinceridade, eu tava era com medo de comer e passar mal depois. Fizemos a fogueira e colocamos nossas respectivas carnes pra assar, meu paio caiu dentro da brasa e eu comi um bom pedaço dele com cinza, muita cinza, além do forte cheiro da madeira que usamos pra fazer a fogueira. O mestre ainda me ofereceu um pouco da carne dele mas eu com meu orgulho neguei, disse que não precisava. Algumas horas depois outra pessoa me ofereceu e eu aceitei, tanto a carne quanto o arroz, arroz este que estava queimado, porém, ocasionalmente delicioso! A hora de dormir foi fantástica, parecia que eu estava nas nuvens, num hotel 5 estrelas, meu corpo estava tão cansado que foi isso que pensou, que estava num hotel e adormeceu, profundamente. Me esqueci que não havia nada, nem lona, nem travesseiro, absolutamente nada! Era só nós, a areia, as formigas, e o lumiero. Não esquecendo do momento de reflexão que tivemos na praia, eu, joão, severo e outro alguém que não lembro. O céu estava lindo! Fui acordado para vigiar e sem muito hesitar fui cumprir o meu papel na sociedade caiçara, duas horas depois todos já estávamos de pé. Para resumir, o dia seguinte foi um retrato do dia anterior, porém num ritmo menos acelerado, ninguém aguentava mais o sol escaldante. Mas o que mais me chamou a atenção foi que ali, para se conseguir qualquer coisa, a mínima coisa possível, era necessário um esforço tremendo, tremendo. Pra comer era necessário pegar lenha embaixo de sol quente, pra se hidratar, escalar coqueiros. Tudo era muito difícil e depois de um tempo desestimulante. Foi uma experiência fantástica da qual eu nunca me esquecerei, mas nunca mesmo. Andar 20 Km com mais de 10 quilos nas costas embaixo do sol alagoano não é pra qualquer um, fico muito feliz por ter feito parte dessa estória da vida de todos vocês, agradeço de coração e desejo tudo de melhor pra vida de cada um. Desejo uma coisa também, as fotos Gerson! kkkkkkkkkkkk
Foi muito bom! Muito válido! Muito didático! Sucesso para cada um de vocês! Abraço de um pra sempre caiçara!
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