quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Rafael

Rafael Cabral - RELATÓRIO DO I ACAMPAMENTO CAIÇARA


O nosso primeiro acampamento foi para mim uma experiência muito boa, desde os preparativos até a nossa volta, e com certeza ficará marcado cada momento vivido ali. Houveram muitos episódios engraçados, divertidos, de reflexão e alguns pouco sofridos também. Saímos da Pajuçara por volta de 04h30min da manhã em direção ao nosso destino (a praia do saco), no começo foi tudo muito tranqüilo e sem muitos problemas, o sol ainda estava fraco e estávamos dispostos, chegando às proximidades da praia da avenida um cachorro vira-lata se aproximou de nós e começou a nos acompanhar brincando como se fizesse parte da equipe também, até o pontal quando encontrou outro cão e ficou para trás, talvez ele tivesse nos acompanhado todo percurso se o tivéssemos estimulado. Fizemos uma primeira parada no lá no pontal para registrar o nascer do sol; na segunda parada sobre a ponte do DETRAN Gerson falou um pouco sobre as histórias e origens da região, da lagoa mundaú e dos nossos ancestrais. Naquele momento percebi que a minha bolsa começou a rasgar-se pelo excesso de bagagem. Lembro- me também do medo do Luan de cair de cima da ponte por conta do vácuo dos caminhões que ali passavam. Continuamos a nossa caminhada e fiquei meio receoso quando fomos passar pela Barreira Policial por estar com uma faca exposta na cintura, mas foi sem problemas.

No caminho chegando próximo a Ilha de Santa Rita o sol já estava escaldante e a sede era constante, ali compramos algumas seriguelas e mangas que estavam muito boas por sinal. Chegamos ao nosso destino exaustos, e eu particularmente totalmente assado. No caminho ainda paramos para pegarmos alguns “xiés” que serviriam de isca para pescarmos (mas eu acho que os peixes daquela região não gostavam muito disso não). Quando eu vi o mar parecia até uma miragem, entrando na água percebi de verdade o quanto eu estava assado, não podendo usar cueca durante toda semana. Chegando lá procuramos o melhor local para construir abrigo, e fomos em busca do material necessário, a princípio sem muito sucesso, pois a maré estava baixa e quando subisse iria tudo por água abaixo, enquanto o Gabriel foi se aventurar no escorrega-rela com o Gerson, quer dizer para os corais pescar. Tivemos então que reconstruí-lo, nesse momento contamos com a ajuda do Severo que acabara de chegar e foi peça chave nesse momento. Conseguimos algumas toras de madeiras boas que serviram de alicerce para nossa barraca, nessa hora passou um carro onde nós estávamos e o Luan correu pra dentro do mangue pensado ser a Guarda Florestal e iria nos prender por desmatamento. Nessa altura do campeonato um simples afazer se tornara bastante complicado por conta do esgotamento físico e da insolação de todo o dia.

Preparamos-nos para fazer a fogueira no final da tarde, já com abrigo pronto, e então assamos a carne de sol e fizemos um arroz para comermos com farinha e tomate, eu nunca pensei que um arroz queimado, uma carne de sol com cinzas e areia, e um tomate cru poderiam ser tão saborosos na minha vida.

Anoitecendo nos revezamos na guarda noturna, um a cada hora, chegando a minha vez fui acordado e fiquei de prontidão, os olhinhos dos bichos encandeavam com a luz da lanterna e o barulho do mato fazia achar que havia sempre alguém por perto.
Ao amanhecer fui novamente com severo pegar mais “xiés” para a pesca e aproveitamos para tomar água de coco tirada do pé, pense numa coisa boa, principalmente naquela ocasião. Então fomos tentar pescar algo, mas alguém avisou aos peixes que nós iríamos acampar por ali naqueles dias, retornando comemos o que tinha sobrado da noite passada e algumas frutas. Tiveram vários outros fatos e momento legais e engraçados como as reflexões, algumas falas do Mestre, a cueca perseguidora, o “navio” que fez o Gabriel nadar uns 500 metros, o Bono e etc..

Agora faltando alguns dias para o nosso próximo acampamento, tendo esse mais que o dobro da distância que percorremos, e para um lugar muito mais inóspito, lembro-me ao fazer este relatório o quanto foi prazerosa essa experiência, e o convívio com as pessoas que ali estavam, estreitando nossos laços de amizade e fraternidade. Tornando-nos muito mais que guerreiros, nos tornando um Caiçara.


Maceió, 07 de Julho de 2009.

Rafael Cabral

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